Jeitinho (bypass criativo) no Brasil
Jeitinho não é desonestidade, mas uma habilidade valorizada no Brasil.
Significado
Direção do alvo : Reconhecer que a criatividade pragmática é uma característica valorizada no Brasil.
Significado interpretado : Jeitinho é uma violação ética; a adesão estrita às regras é valorizada.
Geografia do mal-entendido
Ofensivo
- brazil
1. O gesto e seu significado esperado
Jeitinho (contornar as regras de forma criativa) no Brasil não é visto como desonestidade, mas como competência, criatividade e pragmatismo diante de um sistema burocrático absurdo. DaMatta (1991) estabelece que o jeitinho é um traço cultural brasileiro valorizado, explicitamente oposto à rigidez norte-europeia e à inflexibilidade norte-americana. Um gerente capaz de contornar uma burocracia sem sentido, identificar uma "exceção legal" criativa ou "encontrar uma solução" é estimado e promovido, não criticado. Ignorar o jeitinho e insistir no cumprimento estrito das regras parece inflexível, imperialista ou ignorante do contexto local. Jeitinho não significa corrupção (corrupção = ilegal e imoral), mas sim pragmatismo inteligente diante de regras mal elaboradas.
2. Onde as coisas dão errado: a geografia do mal-entendido
Os alemães e os escandinavos valorizam a adesão estrita às regras (Règlewerk, "livro de regras" em alemão). Um brasileiro que propõe uma "exceção criativa" a uma regra mal elaborada é visto como anormal ou desrespeitoso. Os americanos aplicam as regras de forma rigorosa, mas "eficiente", contornando as ineficiências administrativas legais. Os franceses também admiram o comportamento do tipo jeitinho (elegância diante do absurdo burocrático), chamam-no de "système D" ou "débrouillardise" e o reservam para emergências. Os suíços o recusam completamente, codificando todos os casos excepcionais nas regras.
3. Antecedentes históricos
O jeitinho surgiu de três fontes históricas: (1) herança portuguesa (Portugal contornou as regras dos Habsburgos e depois as regras napoleônicas), (2) escravidão brasileira (os escravos encontravam "jeitos" para resistir, sobreviver ou negociar), (3) burocracia pós-colonial incompetente no Brasil independente. Depois de 1822, todas as reformas administrativas fracassaram porque ignoraram a complexa realidade local. O Jeitinho se torna uma resposta coletiva: "As regras não fazem sentido; a criatividade pragmática é moral"
4 Incidentes documentados
Em 1998, uma subsidiária alemã de uma multinacional no Brasil impôs procedimentos rigorosos de licitação, sem exceções. Os gerentes brasileiros, incapazes de fechar contratos viáveis sem "acordos" com fornecedores locais, não assinaram nada durante 18 meses. Os conflitos internos aumentaram. Em 2003, uma agência francesa no Brasil recusou uma solução legal de "jeitinho" (usar uma subsidiária local para contornar um imposto mal pensado imposto a estrangeiros) e insistiu na aplicação rigorosa. Os concorrentes brasileiros com jeitinho os venceram.
5. Recomendações práticas
Aceitar que as regras no Brasil são muitas vezes insanas e que o jeitinho é uma solução normal e valorizada. Reconheça publicamente a criatividade e o pragmatismo dos gerentes brasileiros. Antes de recusar uma "solução criativa", verifique sua legalidade real com advogados locais especializados (não com advogados estrangeiros). Nunca descreva o jeitinho como "corrupto" ou "desonesto" na frente das equipes brasileiras. Após um sucesso comercial via jeitinho, promova explicitamente o jeitinho como uma força competitiva e adaptabilidade.
Fontes
- DaMatta, Roberto. Carnivals, Rogues, and Heroes: An Interpretation of the Brazilian Dilemma. Notre Dame UP, 1991.
- Lewis, Richard D. When Cultures Collide. Nicholas Brealey, 1996.