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CodexMundi Um atlas acadêmico dos sentidos perdidos ao cruzar fronteiras

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A mao no coracao (juramento de fidelidade)

Colocar a mao direita sobre o coracao durante um hino ou um juramento: emblema civico americano de sinceridade, percebido como teatral ou incompreensivel na maior parte do mundo.

Completo✓ VerificadoMal-entendido

Categoria : Cinésica — gestosSubcategoria : salutations-politiquesNível de confiança : 3/5 (hipótese documentada)Identificador : e0072

Significado

Direção do alvo : Expressar sinceridade, lealdade a nacao e respeito pelos seus simbolos. No contexto americano: participacao no Pledge of Allegiance ou homenagem durante o hino nacional.

Significado interpretado : Fora dos Estados Unidos, o gesto e percebido como teatral, melodramatico ou insincero, mais um emprestimo cinematografico do que um codigo gestual autentico. No mundo islamico, pode ser confundido com um gesto de deferencia para com o interlocutor, criando confusao protocolar.

Geografia do mal-entendido

Ofensivo

  • saudi-arabia
  • iran
  • iraq
  • jordan
  • egypt
  • north-korea

Neutro

  • usa
  • canada
  • uk
  • australia
  • new-zealand
  • ireland

Não documentado

  • western-europe
  • latin-america
  • east-asia
  • southeast-asia
  • sub-saharan-africa
  • south-asia
  • indigenous-peoples

A mao no coracao (juramento de fidelidade)

§1 — O gesto e o seu significado pretendido

Colocar a mao direita plana sobre o peito, ao nivel do coracao, constitui na America do Norte um emblema gestual codificado que exprime sinceridade, respeito e fidelidade civica. O gesto e indissociavel do Pledge of Allegiance, juramento de fidelidade recitado diariamente nas escolas americanas desde finais do seculo XIX, e da postura adotada durante o hino nacional (The Star-Spangled Banner). A sua morfologia — mao direita, palma contra o peito, corpo ereto de frente para a bandeira — esta prescrita pelo Codigo dos Estados Unidos (4 U.S.C. § 4) desde a alteracao de 22 de junho de 1942 (Lei Publica 77-623), que substituiu a saudacao Bellamy (braco direito estendido para a bandeira) por ser considerada demasiado semelhante a saudacao fascista surgida na Europa.

Fora do contexto escolar ou desportivo americano, o gesto difundiu-se como sinal espontaneo de sinceridade na cultura popular anglofona: colocar a mao sobre o coracao acompanha uma declaracao de honestidade, uma promessa informal ou uma reacao emocional intensa.

§2 — Geografia do mal-entendido: a singularidade americana

Fora dos Estados Unidos e, em menor grau, do Canada, este gesto nao esta associado a qualquer protocolo civico equivalente na grande maioria dos paises. E percebido como uma convencao americana importada pelo cinema e televisao, ou como um gesto melodramatico de sinceridade pessoal sem enraizamento ritual. Na Europa ocidental, America Latina, Asia ou mundo arabe, nenhuma cerimonia nacional prescreve uma postura de mao sobre o coracao durante os himnos nacionais: os participantes ficam de pe em silencio, com as maos ao lado do corpo ou unidas.

Em certos contextos do mundo islamico, colocar a mao no peito ou no coracao e um gesto de deferencia sincera para com o interlocutor — distinto da fidelidade civica americana — o que pode criar confusao protocolar em trocas diplomaticas ou profissionais interculturais.

Na Asia oriental e sudoriental, o gesto nao esta codificado como sinal de respeito nacional. O equivalente local e a reverencia (ojigi japones, jeol coreano), a postura ereta silenciosa ou o wai tailandes conforme o contexto.

§3 — Origens e documentacao academica

O gesto legalmente prescrito nos Estados Unidos deriva de uma decisao legislativa de 1942 que visava substituir a saudacao Bellamy. O proprio Pledge of Allegiance foi redigido em agosto de 1892 por Francis Bellamy (1855-1931), pastor batista e socialista, para o periodico The Youth's Companion por ocasiao do 400.o aniversario da chegada de Cristovao Colombo. A postura original que acompanhava o juramento era a saudacao Bellamy: braco direito estendido para a bandeira, palma para baixo, depois para cima. O Congresso americano substituiu definitivamente a saudacao Bellamy pela mao sobre o coracao em 22 de junho de 1942 atraves da Lei Publica 77-623.

Morris, Collett, Marsh, O'Shaughnessy (1979) documentam a variacao dos gestos de respeito e fidelidade entre culturas. Axtell (1998) assinala que o gesto americano da mao sobre o coracao e regularmente mal interpretado em contextos profissionais ou diplomaticos fora dos Estados Unidos. Kendon (2004) contextualiza o fenomeno no quadro mais amplo dos emblemas cinesicos com funcao ritual civica.

§4 — A controversia Kaepernick e o peso simbolico contemporaneo

Em agosto de 2016, o quarterback da NFL Colin Kaepernick (San Francisco 49ers) comecou a ajoelhar-se em vez de se levantar com a mao no coracao durante o hino nacional, em protesto contra a violencia policial e a discriminacao racial nos Estados Unidos. Esta recusa deliberada do gesto codificado desencadeou uma massiva controversia nacional, coberta pela CNN, ESPN, o New York Times e centenas de outros orgaos de comunicacao de referencia. O gesto de Kaepernick — ou antes a sua ausencia — tornou-se num dos atos de protesto simbolicos mais debatidos da decada nos Estados Unidos.

§5 — Recomendacoes praticas

Num evento nacional americano (jogo desportivo, cerimonia oficial), adotar a postura esperada — mao direita sobre o peito — constitui um sinal de respeito apreciado. Fora dos Estados Unidos, evitar reproduzir este gesto durante himnos nacionais estrangeiros: a convencao local e geralmente a postura ereta silenciosa. Em contextos diplomaticos ou profissionais interculturais com interlocutores do Medio Oriente, ter em conta que colocar a mao no peito pode ser lido como um gesto de deferencia pessoal. A comunicacao verbal explicita continua a ser o melhor veiculo de sinceridade em contextos multiculturais.

Origens históricas

Juramento de fidelidade redigido em agosto de 1892 por Francis Bellamy para The Youth's Companion. Postura mao-no-coracao codificada pela Lei Publica 77-623 em 22 de junho de 1942, em substituicao da saudacao Bellamy considerada demasiado semelhante a saudacao fascista europeia.

Incidentes documentados

Recomendações práticas

Para fazer

  • Respecter le geste dans son contexte americain — il est codifie et sincere pour ceux qui le pratiquent. Ne pas l'imiter dans d'autres contextes nationaux sans connaitre la convention locale. Privilegier les marques de respect vocales ou posturales equivalentes dans chaque culture.

O que evitar

  • Ne pas supposer que le geste signifie la même chose partout. Ne pas l'utiliser ironiquement ou en moquerie. Éviter le geste en Russie sans contexte explicite.

Alternativas neutras

Fontes

  1. Morris, Desmond, Collett, Peter, Marsh, Peter, O'Shaughnessy, Marie. Gestures: Their Origins and Distribution. Stein and Day, 1979.
  2. Axtell, Roger E. Gestures: The Do's and Taboos. John Wiley and Sons, 1998.
  3. Kendon, Adam. Gesture: Visible Action as Utterance. Cambridge University Press, 2004.
  4. United States Congress. Public Law 77-623, Flag Code Amendment. Congressional Record, June 22, 1942. —
  5. Wikipedia. Pledge of Allegiance. Wikimedia Foundation, 2024. —