Mão abaixo do cotovelo (deferência coreana)
Gesto de deferência coreano: uma mão apoia o cotovelo ou o pulso da outra durante uma saudação, entrega de objeto ou interação formal. Sinal de respeito hierárquico codificado sob a dinastia Joseon. Frequente na Coreia, reconhecido no Japão e no Vietname. Não ofensivo no Ocidente, mas frequentemente mal interpretado.
Significado
Direção do alvo : Respeito, deferência para com um superior hierárquico (idoso, professor, chefe). Humildade, atenção ao estatuto do interlocutor.
Significado interpretado : Num contexto ocidental, pode ser lido como um sinal de fraqueza, hesitação, nervosismo ou insegurança. O significado respeitoso permanece invisível sem uma chave cultural.
Geografia do mal-entendido
Neutro
- south-korea
- vietnam
Não documentado
- japan
- china-continental
- western-europe
- middle-east
- sub-saharan-africa
- americas
- indigenous-peoples
1. O gesto e o seu significado esperado
Ao cumprimentar, oferecer um objeto ou interagir formalmente com uma pessoa hierarquicamente superior (idoso, professor, chefe, figura publica), apoia-se o proprio braco estendido ou cotovelo com a outra mao colocada por baixo. Uma variante comum: a mao esquerda toca ou apoia o pulso direito durante a troca. O significado na Coreia e inequivoco: respeito, deferencia, humildade, reconhecimento do estatuto do interlocutor. Codificado na etiqueta coreana sob o termo 예절 (yejeol), este gesto e esperado nas relacoes empregado-chefe, aluno-professor e filho-pai, e em particular durante o consumo de soju e a troca de cartos de visita (명함 myeongham). A variante de apoio ao pulso tambem e documentada no Japao (durante as apresentacoes de meishi) e no Vietname em contextos hierarquicos.
2. Onde surge o mal-entendido
Fora da Asia Oriental e do Sudeste Asiatico, este gesto passa geralmente despercebido ou e mal interpretado. Observadores ocidentais referem que o percebem como um sinal de fraqueza, hesitacao ou nervosismo, exatamente o oposto do significado original. Sem a chave cultural, a deferencia torna-se invisivel. O mal-entendido raramente e conflitual (danger_level 2), mas enfraquece o efeito de deferencia pretendido. Axtell (1998) refere que os marcadores cinesicos da Asia Oriental de respeito hierarquico estao entre os codigos mais frequentemente ignorados pelos parceiros comerciais ocidentais.
3. Origens historicas
O gesto tem as suas raizes no confucionismo coreano importado da China sob a dinastia Goryeo (918-1392), depois institucionalizado sob a dinastia Joseon (1392-1897). O conceito de hyo (효, piedade filial) e a hierarquia das cinco relacoes (오륜 oryun) — governante/sujeito, pai/filho, marido/mulher, mais velho/mais novo, amigo/amigo — impunham marcadores corporais precisos de respeito. Apoiar o braco ou o pulso com a mao livre ao realizar um gesto em direcao a um superior e a expressao gestual deste principio. Matsumoto e Hwang (2013) documentam que estes codigos cinesicos confucionistas de respeito hierarquico persistiram ao longo da modernizacao coreana do seculo XX e foram reforcados pelo sistema educativo e empresarial sul-coreano das decadas de 1950 a 1980.
4. Difusao contemporanea
O gesto continua omnipresente na Coreia dos anos 2020, visivel nos K-dramas, programas de variedades e interacoes corporativas quotidianas. Difundiu-se com a Onda Coreana (hallyu). Na cupula intercoreana de 27 de abril de 2018, o presidente Moon Jae-in apoiou a sua mao direita com a esquerda enquanto apertava a de Kim Jong-un, um gesto codificado pela imprensa (Yonhap News, The Korea Herald, 27 de abril de 2018) como sinal de deferencia subtil com valor diplomatico.
5. Recomendacoes praticas
Na Coreia, no Japao e no Vietname: apoiar sistematicamente o proprio braco ou pulso ao cumprimentar, oferecer presentes e trocar cartos de visita com qualquer interlocutor de hierarquia superior. A variante mao-sob-pulso e aceitavel na maioria dos contextos formais coreanos. No Ocidente: o gesto nao e esperado mas nao criara confusao negativa se for utilizado. Nao improvisar este gesto de forma ironica ou condescendente com um subordinado: num contexto coreano, seria imediatamente percebido como escarnio.
Origens históricas
Codificado sob a dinastia Joseon (1392-1897) no ambito do confucianismo coreano, este gesto expressa o principio do hyo (效, piedade filial) e as cinco relacoes hierarquicas (오륜 oryun). Documentado por Matsumoto e Hwang (2013) como codigo cinesico transmitido atraves da modernizacao coreana do seculo XX.
Recomendações práticas
Para fazer
- En Corée, au Japon et au Vietnam, soutenir son propre bras ou poignet lors de salutations, remises de cadeaux et échanges de cartes de visite avec toute personne d'un rang supérieur.
O que evitar
- Aucun cas documenté d'offense. Geste universellement positif en contextes d'origine.
Alternativas neutras
Ligeiro inclinar da cabeça (15°) acompanhando a entrega a duas mãos; fórmula verbal de respeito explícita em coreano (존댓말 jondaemal).
Fontes
- Gestures: Their Origins and Distribution
- Gestures: The Do's and Taboos of Body Language Around the World
- Nonverbal Communication: Science and Applications
- Etiquette in South Korea
- Inter-Korean summit — April 27, 2018 — Moon Jae-in handshake gesture