Japão: gestos a evitar e códigos culturais
Japão — 59 situações documentadas em que um gesto, uma palavra ou um silêncio não se lê como noutros lugares. 18 a evitar em primeiro lugar, fontes académicas e incidentes datados.
O que evitar em primeiro lugar
Interpretado como : No Japão, este gesto imita precisamente a passagem dos fragmentos de ossos do defunto durante o ritual funerário budista. Grosseria maior e quebra da comensalidade.
- Apontar com o dedo indicadorInsulto
Interpretado como : No sudeste asiatico, mundo arabe e Africa: acusacao, condescendencia, tratar o interlocutor como um animal ou inferior. Em contexto profissional pode sinalizar raiva ou imputacao pessoal.
- O beijo-chamada de beicinhoInsulto
Interpretado como : Nos mundos anglo-americano, nórdico e asiático urbano, o "kiss-calling" é universalmente interpretado como assédio sexual de rua, "catcalling" e uma grande transgressão. Isso provoca raiva imediata, reação policial ou conflito verbal.
Interpretado como : Gesto descontraído ou falta de respeito pelos pauzinhos. No Ocidente, é confundido com o facto de os deixar cair ou de os arrumar mal. Confusão entre a materialidade do objeto e a sua dimensão simbólica ritual.
Interpretado como : Em muitas culturas asiáticas e mediterrâneas, a oferta de uma faca simboliza involuntariamente o desejo de "cortar" um relacionamento, anunciando um rompimento ou conflito.
- Branco (luto - China, Japão)Insulto
Interpretado como : Na China, no Japão e na Coreia do Sul, branco = luto, morte, funerais. Roupas funerárias brancas, flores brancas (crisântemos) e envelopes brancos são reservados para o contexto do funeral.
Interpretado como : Enfiar o cartão no bolso de trás das calças — e depois sentar-se em cima.
- O aperto de mão — força e duraçãoMal-entendido
Interpretado como : Um aperto firme percebido como agressão na Ásia oriental; um aperto frouxo percebido como falta de confiança ou respeito no Ocidente.
- O aceno de despedida com a palma abertaMal-entendido
Interpretado como : No Leste e Sudeste Asiatico, a palma aberta acenada e lida como um gesto de chamada ('venha aqui'). O emissor ocidental que diz adeus e compreendido como alguem que pede ao receptor que se aproxime -- uma inversao semantica completa na mesma forma gestual.
- Falar com as mãos nos bolsosMal-entendido
Interpretado como : Insolência, desprezo ao interlocutor, recusa em se engajar, secretismo ou arrogância no Leste Asiático, Turquia e contextos hierárquicos formais.
- O gesto da palpebra (vigilancia e descrenca)Mal-entendido
Interpretado como : No Japao (Akanbe): percebido como zombaria infantil ou insulto menor. Em contextos norte-europeus ou anglofon os: incompreensivel ou confundido com irritacao ocular. Confusao frequent e entre significado vigilancia (LatAm/Med) e descrenca (Franca).
- Assobiar com os dedosMal-entendido
Interpretado como : Na China, Japão, Coreia do Sul e outras culturas do Leste Asiático, percebido como um chamado destinado a cães ou crianças; extremamente ofensivo.
- O contato visual direto no JapaoMal-entendido
Interpretado como : Um interlocutor ocidental pode interpretar a aversao ao olhar como sinal de baixa autoestima, desonestidade ou desinteresse.
- A chamada sibilante (pssst - América Latina)Mal-entendido
Interpretado como : Na Escandinávia e no Leste Asiático, o chilrear "pssst" é visto como excessivamente familiar, até mesmo agressivo ou sexualmente sugestivo para as mulheres. Isso pode levar a uma ruptura nas relações sociais e ser interpretado como assédio urbano.
- A gorjeta recusada (Japão)Mal-entendido
Interpretado como : Oferecer uma gorjeta a um empregado de mesa japonês: insulto não intencional que implica que ele não é pago ou que o seu trabalho é inadequado. Risco de mal-entendido sobre as normas de remuneração justa.
- O número 4 (tetrafobia - Ásia Oriental)Mal-entendido
Interpretado como : Na China, no Japão, na Coreia do Sul e em Taiwan, o número 4 é um tabu numérico ligado à sua homofonia com «morte» (chinês: sì). Edifícios, elevadores, hospitais e matrículas omitem-no sistematicamente, frequentemente para grande consternação dos visitantes ocidentais.
- Chinelos de interior (*surippa*) no JapãoMal-entendido
Interpretado como : Recusar as *surippa* ou, pior, andar pelo corredor ou no tatami com as *toire surippa* da casa de banho: violação da fronteira limpo/sujo mais rigorosamente separada do lar japonês.
Normal aqui, mal interpretado noutros lugares
- O V com a palma da mão invertidaMal interpretado em : Australia, Ireland, New zealand, South africa, UK
- O círculo OK (anel do polegar e indicador)Mal interpretado em : Brazil, France argot, Germany, Greece, Iran
- O polegar para cimaMal interpretado em : Afghanistan classic, Greece classic, Iran classic, Iraq classic, Italy south classic
- O polegar para baixoMal interpretado em : Belgium, Canada, France, Ireland, Luxembourg
- O dedo do meioMal interpretado em : Australia, Belgium, Canada, China continental, France
- A saudacao tailandesa dos tres dedos (Jogos Vorazes)Mal interpretado em : Thailand
- Os dedos-pistola (finger guns)Mal interpretado em : Australia, Canada, UK, USA
- Feche os olhos e ouça (EUA vs. culturas não ocidentais)Mal interpretado em : Australia, Canada, France, Germany, UK
- A carne de cão (Coreia — tabu em evolução)Mal interpretado em : Belgium, Canada, France, Luxembourg, Netherlands
- Preto (luto - Oeste)Mal interpretado em : Belgium, Canada, France, Germany, Netherlands
- O porco (oeste sujo, China próspera)Mal interpretado em : Algeria, Bahrain, Bangladesh, Bhutan, Egypt
- O corvo (morto no Ocidente, sortudo na Ásia)Mal interpretado em : Canada, France, Germany, UK, USA
Por situação
Paralinguagem, silêncio, riso
- O beijo-chamada de beicinho
- A chamada sibilante (pssst - América Latina)
- A voz baixa no transporte público japonês
- Assoar o nariz cheirando (em vez de assoar)
- Fazendo barulho enquanto come macarrão (Japão)
- O "hmm" japonês de aquiescência
- Assoar o nariz ruidosamente em público (Japão)
- Rir com a mão sobre a boca (Ásia Oriental)
Símbolos, números, cores, animais
- Branco (luto - China, Japão)
- O número 4 (tetrafobia - Ásia Oriental)
- Preto (luto - Oeste)
- O porco (oeste sujo, China próspera)
- O corvo (morto no Ocidente, sortudo na Ásia)
- O dragão (poder chinês, mal ocidental)
- A suástica (auspício hindu/budista vs. auspício nazista)
- O fio vermelho (Cabala/Sorte chinesa versus superstição)
Incidentes documentados
Casos anedóticos relatados em guias de viagem: correção educada, mas firme, por parte dos anfitriões japoneses durante o compartilhamento informal de alimentos. Não houve grandes incidentes públicos, mas houve desconforto social sistemático.
Passar comida de pauzinhos a pauzinhosEm 15 de agosto de 1971, o cavaleiro britanico Harvey Smith ganhou o Derby de Hickstead sobre Mattie Brown e, ao passar pela tribuna dos juizes, mostrou um sinal de V com a palma voltada para dentro ao organizador Douglas Bunn. Smith foi desclassificado e privado do seu premio de 2.000 libras. A British Show Jumping Association restabeleceu a sua vitoria dois dias depois. O incidente entrou nos dicionarios Chambers: …
O V com a palma da mão invertidaUma anedota muito repetida na literatura intercultural: Nixon teria saudado uma multidão brasileira com um OK com ambas as mãos, gesto recebido como um duplo insulto. Nixon esteve de facto no Brasil em 1956 para a tomada de posse do presidente Kubitschek, mas o detalhe gestual não está atestado por nenhuma fonte primária — anedota semi-lendária, nem confirmada nem refutada.
O círculo OK (anel do polegar e indicador)Farsa lançada no 4chan em fevereiro de 2017 para fazer passar o gesto OK por um sinal «white power». Escapou em parte aos seus autores: alguns ativistas passaram a usá-lo de forma sincera. Incluído pela Anti-Defamation League em «Hate on Display» em setembro de 2019, recordando que a esmagadora maioria dos usos continua inócua.
O círculo OK (anel do polegar e indicador)Durante Operation Iraqi Freedom, os manuais de comunicacao intercultural do exercito americano incluiam o polegar para cima na lista de gestos a evitar devido a carga sexual obscena documentada na literatura anglofona dos anos 90. Em paralelo, varias fontes tier-1 (Slate 2003 << Thumbs-up Iraq >>, cobertura de imprensa internacional) documentaram a adocao ativa e inversa do gesto por iraquianos enviando um polegar pa…
O polegar para cimaLançamento do botão "Curtir" em fevereiro de 2009. Transformação global silenciosa do significado do polegar para cima em menos de uma década - provável reversão do histórico sinal obsceno nas gerações conectadas.
O polegar para cima