Arábia Saudita: gestos a evitar e códigos culturais
Arábia Saudita — 29 situações documentadas em que um gesto, uma palavra ou um silêncio não se lê como noutros lugares. 15 a evitar em primeiro lugar, fontes académicas e incidentes datados.
O que evitar em primeiro lugar
Interpretado como : Representação de um orifício anal na América Latina (sobretudo no Brasil), no Médio Oriente e em parte do Mediterrâneo — daí um insulto de carácter sexual, por vezes uma acusação de homossexualidade (Turquia, Grécia). No sul da França e na Tunísia, o círculo significa «zero», «nulo», «não vales nada». Nalguns países do Golfo, o gesto agitado evoca o mau-olhado.
Interpretado como : Grande discrepância: jogo ocidental ("está fora") vs. ameaça física séria em áreas do Oriente Médio/Sul da Ásia.
- A sola expostaOfensa
Interpretado como : Insulto ritual grave no mundo árabe, no subcontinente indiano e no Sudeste Asiático budista: apontar a sola para alguém equivale a dizer-lhe que está ao nível daquilo que o pé pisa.
Interpretado como : No Ocidente, atirar um sapato é visto como mera violência ou desordem pública. No mundo árabe, carrega uma linguagem simbólica precisa, imediatamente compreendida como a pior humilhação.
Interpretado como : Para uma pessoa canhota, passar a comida com a mão esquerda é percecionado como um insulto deliberado ou uma grave ignorância.
Interpretado como : No Islã, a cruz é rejeitada como idolatria (shirk), uma negação da tawhid (unidade divina). No judaísmo, ela é associada a perseguições cristãs históricas e é um símbolo de conversão forçada.
Interpretado como : Os nazistas foram forçados a marcar a estrela amarela para identificar os judeus nos guetos/campos. Os países árabes a rejeitaram como símbolo da ocupação israelense.
- Apontar com o dedo indicadorInsulto
Interpretado como : No sudeste asiatico, mundo arabe e Africa: acusacao, condescendencia, tratar o interlocutor como um animal ou inferior. Em contexto profissional pode sinalizar raiva ou imputacao pessoal.
Interpretado como : No mundo árabe, islâmico e no Sudeste Asiático, mostrar a sola a um interlocutor — intencionalmente ou não — é interpretado como desprezo deliberado. O interlocutor pode abandonar a reunião sem explicações.
Interpretado como : Animal impuro, contaminado, sujo ou moralmente repugnante no Islã, no judaísmo e em certos contextos cristãos ocidentais. Símbolo de ganância, estupidez ou devassidão.
Interpretado como : Redigir, assinar ou apresentar um documento com a mão esquerda, mesmo sem intenção de ofender.
- O beijo sopradoMal-entendido
Interpretado como : Em contextos islamicos rigorosos e no sul da Asia, soprar um beijo para uma pessoa do sexo oposto em um espaco publico e percebido como uma abordagem sexual immodesta ou uma provocacao desrespeitosa das normas de pudor (hayaa em arabe, lajja em hindi).
- A mao no coracao (juramento de fidelidade)Mal-entendido
Interpretado como : Fora dos Estados Unidos, o gesto e percebido como teatral, melodramatico ou insincero, mais um emprestimo cinematografico do que um codigo gestual autentico. No mundo islamico, pode ser confundido com um gesto de deferencia para com o interlocutor, criando confusao protocolar.
Interpretado como : "Esse indivíduo está me atacando pessoalmente; ele não respeita meu espaço de vida
Interpretado como : No Islã sunita estrito (Hanbalita, Malekita), os cães são ritualmente impuros (najes). Sua saliva contamina o ambiente e é proibido levá-lo para a mesquita ou para perto da área de oração. Uma acusação de profanação religiosa.
Por situação
Incidentes documentados
Uma anedota muito repetida na literatura intercultural: Nixon teria saudado uma multidão brasileira com um OK com ambas as mãos, gesto recebido como um duplo insulto. Nixon esteve de facto no Brasil em 1956 para a tomada de posse do presidente Kubitschek, mas o detalhe gestual não está atestado por nenhuma fonte primária — anedota semi-lendária, nem confirmada nem refutada.
O círculo OK (anel do polegar e indicador)Farsa lançada no 4chan em fevereiro de 2017 para fazer passar o gesto OK por um sinal «white power». Escapou em parte aos seus autores: alguns ativistas passaram a usá-lo de forma sincera. Incluído pela Anti-Defamation League em «Hate on Display» em setembro de 2019, recordando que a esmagadora maioria dos usos continua inócua.
O círculo OK (anel do polegar e indicador)Em novembro de 1999, o wide receiver Keyshawn Johnson (New York Jets) popularizou o gesto throat-slash apos um touchdown contra o New England em 15 de novembro. Brett Favre e Ricky Watters o usaram na semana seguinte. A NFL proibiu oficialmente o gesto como ato inaceitavel de violencia.
O dedo que corta a gargantaBush segurou a mão do príncipe herdeiro Abdullah (ainda não rei — só se tornaria em 1º de agosto de 2005) durante uma caminhada; a imprensa e os programas noturnos americanos zombaram, com a CBS constatando que a reação vai além da proximidade de Washington com Riade — "quando se trata de dois homens de mãos dadas, os Estados Unidos têm um problema".
Dar as mãos entre homens (mundo árabe-muçulmano)